Descrição
Shomroní — “Samaritano”
A Travessia do Silêncio — 2023
“Shomroní” revisita a parábola do Bom Samaritano não como narrativa ética, mas como território de fricção e reconhecimento. A obra dissolve qualquer figuração direta para construir, por meio de camadas espatuladas e tensões cromáticas, uma superfície onde o encontro com o outro se torna matéria, gesto e ruptura. O Samaritano aqui não é personagem, mas deslocamento: o ponto em que fronteiras religiosas, culturais e sociais deixam de organizar o real e abrem espaço para uma forma radical de presença.
As texturas densas e irregulares funcionam como uma geografia emocional. Elas evocam o choque entre hostilidade e cuidado, revelando que a compaixão nasce justamente no intervalo onde nenhuma expectativa deveria caber. Ao recusar a narrativa ilustrativa, a obra convoca o espectador a ocupar o lugar que, na parábola, define tudo: passar adiante ou interromper o caminho.
Neste trabalho, a misericórdia é menos um valor e mais um ato silencioso — um gesto que reorganiza o olhar antes mesmo de reorganizar o mundo. Inserida no contexto de ‘A Travessia do Silêncio’, a obra reafirma o eixo central da série: abrir no espectador uma escuta para aquilo que se revela quando as palavras cessam. “Shomroní” torna-se, assim, uma convocação visual: reconhecer no ferido do caminho não apenas o outro, mas a própria possibilidade de humanidade.





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