Descrição
Lëmikhëmeret — לְמִכְמֶרֶת (À Rede)
Série – A Travessia do Silêncio
Em “Lëmikhëmeret”, Emanuel Barcas transforma a parábola da rede de Mateus 13:47–50 em uma experiência pictórica que ultrapassa a narrativa bíblica para operar como um espaço de discernimento interior. A tela quadrada, marcada por camadas espatuladas de acrílico, constrói uma superfície tensa, vibrante, onde luz e matéria se confrontam. Não há figuração; há estrutura. O que se vê não é a rede, mas o seu princípio: o gesto de recolher, filtrar e revelar.
A obra funciona como uma metáfora visual do instante em que o invisível é trazido à luz. As texturas profundas evocam a densidade do mar, enquanto aberturas e cortes luminosos sugerem o momento em que aquilo que estava submerso emerge para ser visto. Barcas desloca o tema bíblico do campo narrativo para o campo existencial: a rede não seleciona peixes, mas aspectos da alma.
Neste processo, a pintura se torna um rito silencioso, convidando o olhar a confrontar o que permanece e o que se desfaz. A paleta marítima, trabalhada em tensão com incisões claras, reforça a ideia de um limiar entre profundidade e revelação.
No conjunto de ‘A Travessia do Silêncio’, “Lëmikhëmeret” marca o ponto em que a jornada espiritual se torna exame: o momento em que o mar interior é recolhido e a verdade emerge. É uma obra que não explica; expõe. Não ilustra; revela.
“Lëmikhëmeret” afirma a pintura como espaço de encontro entre o gesto humano e o discernimento divino — um convite a perceber o que a rede, silenciosamente, traz à superfície.





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