Descrição
Lehitepaqed — לְהִתְפָּקֵד (Pertencimento / Ser Chamado)
Série – A Travessia do silêncio
“Lehitepaqéd” ocupa um lugar singular na série ‘A Travessia do Silêncio’: é uma pintura que investiga o instante em que o ser humano descobre que não pertence ao acaso, mas a um chamado que o antecede. Inspirada na jornada de José e Maria rumo a Belém (Lucas 2:1–5), a obra interpreta o censo romano não como um gesto administrativo, mas como o cenário paradoxal onde um nascimento sagrado é silenciosamente preparado. Assim, o ato de “ser contado” torna-se metáfora de ser convocado pela própria origem.
As camadas aplicadas com espátula constroem uma superfície densa, quase arqueológica, onde cada estrato parece guardar registros, deslocamentos e histórias anônimas. Entre essas texturas, emerge uma vibração luminosa que sugere que, mesmo em meio às multidões, existe sempre um olhar que distingue, um convite que singulariza. O artista revela que pertencimento não é localizar-se num mapa, mas reconhecer-se chamado no interior da travessia.
As tensões cromáticas — entre densidade e rarefação — evocam mapas, rotas e listas antigas, mas também o espaço íntimo onde identidade e propósito começam a se organizar. O silêncio da obra não é ausência: é o intervalo em que o chamado chega antes do entendimento. Em “Lehitepaqéd”, ser convocado significa tornar-se visível ao Invisível, e pertencer significa responder, mesmo sem compreender totalmente o caminho.





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