Descrição
Hadågym — הַדַּגִּים (Os Peixes)
Série – A Travessia do Silêncio
Em “Hadagím”, Emanuel Barcas reconfigura a antiga metáfora dos peixes como uma geografia espiritual do envio, inspirada na Grande Comissão de Mateus 28:18–20. O mar deixa de ser um ambiente físico para tornar-se um território de vocações, um espaço onde a luz convoca e movimenta. O fundo branco e cinza não é ausência de cor, mas clareira fenomenológica: uma abertura onde a luz dispersa trevas e prepara o caminho para que a missão se inscreva no mundo. Nesse campo luminoso, os peixes deixam de existir como fauna; tornam-se corpos enviados, presenças que se deslocam no ritmo silencioso do chamado de Cristo.
A matéria espatulada cria uma cinemática espiritual: trajetórias fragmentadas, correntes invisíveis, direções que se entrelaçam. Não se trata de representar o movimento, mas de produzi-lo, deixando que a superfície se torne lugar de passagem. O amarelo opera como signo do Espírito Santo — impulso, sopro, orientação. O vermelho, profundo e axial, remete ao sangue de Cristo como força que sustenta, consagra e inaugura o envio. Ambos funcionam como vetores de energia espiritual, não como pigmentos decorativos.
Dentro da série ‘A Travessia do Silêncio’, “Hadagím” ocupa o ponto em que o silêncio deixa de recolher e começa a projetar. É a obra da expansão, do horizonte, do “Ide” que se torna movimento. Uma pintura que pensa o mundo como campo de travessia e a fé como deslocamento — onde luz, missão e existência se encontram em direção.





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