Descrição
Abyrey Vashân — אֲבִירֵי בָּשָׁן (Os Fortes De Bashã)
Série – A Travessia do Silêncio
Em “Abyrêy Vashan”, a imagem do Salmo 22 deixa de ser figura e se transforma em força. A pintura retira do texto bíblico a cena dos “fortes touros” que cercam o justo e a traduz em um campo de tensões cromáticas, densidades de matéria e gestos incisivos. Não há touros, corpos ou narrativa literal: há pressão. A superfície vibrante, construída com espátula, trabalha como um território de cerco, onde cada camada avança sobre a outra, comprimindo o olhar e instaurando um espaço de vulnerabilidade e resistência.
A obra inscreve a experiência do lamento — tão central ao Salmo 22 — em uma gramática totalmente contemporânea. Os “fortes de Bashã” deixam de ser inimigos externos e tornam-se metáforas das potências que hoje esmagam subjetividades: sistemas econômicos que trituram, discursos que desumanizam, estruturas de poder que silenciam. A espessura da tinta funciona como escrita material de um sofrimento coletivo, mas também como afirmação de uma fé que não se extingue.
Inserida na série ‘A Travessia do Silêncio’, a pintura aprofunda o momento em que Deus parece distante e a oração ecoa sem resposta. O silêncio aqui não é vazio, mas saturação — uma acumulação de ruídos, força e peso. No entanto, fendas, fissuras e áreas de respiro sugerem uma confiança subterrânea que insiste em emergir. “Abyrêy Vashan” assim se torna um rito visual: um espaço onde o espectador é convidado a enfrentar seus próprios “fortes de Bashã” e a atravessar, com lucidez e esperança, o cerco que ainda persiste.





Davi Montenegro Pedersoli –
É possível sentir o peso de tinta na tela. É possível sentir o “movimento” da pintura. Extremamente belo.
emanueladm –
Olá Davi!
Gratidão pelo comentário.
Estamos extremamente felizes que tenha apreciado a pintura “Abyrey Våshån”.
Abraços,
Barcas.